Priorizando a Saúde Mental no Ambiente de Trabalho: Prevenção do Suicídio

O trabalho é muito mais do que apenas uma maneira de garantir nosso sustento; ele também é uma forma de expressarmos nossos talentos, valores e identidade. Ele pode nos trazer alegria e orgulho, mas infelizmente também pode nos causar dor e desespero. Quando o trabalho se torna uma fonte de sofrimento, ele pode comprometer seriamente nossa saúde mental e, em casos extremos, nos levar a considerar tirar nossa própria vida.

O suicídio é um fenômeno complexo e multifacetado, influenciado por aspectos biológicos, psicológicos, sociais e culturais.

Tragicamente, ele está entre as principais causas de morte em todo o mundo, especialmente entre os jovens. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas tiram suas próprias vidas a cada ano, sendo a segunda principal causa de morte entre aqueles com idades entre 15 e 29 anos.

No Brasil, estima-se que ocorram aproximadamente 12 mil suicídios anualmente, sendo a região Sul a mais afetada.

Setembro é dedicado à campanha mundial de prevenção ao suicídio, com o objetivo de conscientizar sobre esse grave problema e oferecer apoio às pessoas em risco.

As empresas têm um papel significativo nesse esforço, pois podem contribuir para a prevenção do suicídio ao cuidar da saúde mental de seus colaboradores.

Para isso, as empresas precisam ir além do simples objetivo de lucro e adotar medidas que promovam o bem-estar de seus funcionários e reduzam o estresse no ambiente de trabalho. O estresse foi definido pelo médico Hans Selye em 1937 como “a resposta inespecífica do organismo a qualquer demanda feita”. Selye também descreveu a Síndrome de Adaptação Geral (SAG), que consiste nas reações fisiológicas que ocorrem quando o organismo é submetido a situações estressantes.

Os fatores estressantes no ambiente de trabalho podem assumir diversas formas, como jornadas longas, metas inatingíveis, assédio moral, falta de reconhecimento e muito mais. Esses fatores podem desencadear alterações hormonais, imunológicas e comportamentais nos trabalhadores, levando a problemas como ansiedade, depressão, burnout e, nos casos mais graves, o suicídio.

Existem várias medidas que as empresas podem adotar para prevenir o estresse e o suicídio no trabalho:
– Promover uma cultura de saúde mental por meio de treinamentos, palestras e eventos de conscientização para educar os funcionários sobre a importância da saúde mental e os sinais de alerta do suicídio.
– Oferecer apoio aos funcionários por meio de programas de bem-estar, aconselhamento e recursos de crise para auxiliar aqueles que estão enfrentando problemas de saúde mental ou pensamentos suicidas.
– Criar um ambiente de trabalho saudável por meio de políticas e práticas que promovam o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, reduzam o estresse no trabalho e fortaleçam o senso de comunidade.
– Implementar um Canal de Denúncias que permita aos funcionários comunicar atividades ilegais ou prejudiciais à gestão da empresa.
– Praticar a Comunicação Não Violenta (CNV) no ambiente de trabalho, uma abordagem que visa a expressão e a escuta com respeito, empatia e compaixão. A CNV foi criada pelo psicólogo Marshall Rosenberg com base nos princípios da não violência de Gandhi. Ela pode melhorar o ambiente de trabalho, fortalecer os laços entre os funcionários, aumentar a motivação e promover o bem-estar dos trabalhadores.
A prevenção do suicídio é uma responsabilidade compartilhada. As empresas têm um papel fundamental na redução das taxas de suicídio ao cuidar da saúde mental de seus colaboradores. Assim como o valor social do trabalho é o fundamento da nossa República (art. 1º, IV, CF), a preservação da vida é o alicerce da nossa humanidade. Cuidar das pessoas não é apenas uma forma de viver, mas também de trabalhar com saúde mental em prol de um mundo mais saudável.

Professor Dr. Rafael Braga Esteves

Professora Mayra Karolina Roberto

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